As meninas do CrossFit (não são essas, são as outras)

Todos conhecem a Angie, não é? “Angie, Angie, when will those clouds all disappear?” Pois, eu também pensava que sabia quem ela era, mas quando comecei nesta vida de crossfitter percebi que afinal havia outra.

A Angie é o nome abreviado para 100 elevações, 100 flexões, 100 abdominais e 100 agachamentos. Já estão assustados? Continuem a ler.

Um dos grandes benefícios do CrossFit é que tudo é mensurável, o que parece aparentemente contraditório com a variedade de combinações de exercícios que encontramos na box. Se estamos sempre a fazer coisas diferentes, como podemos verificar a nossa evolução de forma objectiva?

Para responder a esta questão foram criados os “Benchmark WOD”, que constituem um padrão de exercícios que devem ser repetidos de tempos a tempos de modo a medirmos os nossos progressos. Foram-lhes dados nomes de meninas, o que até teria graça (também há uma Grace) não fossem meninas tão rijinhas.

Ora, a Angie foi a minha primeira menina – salvo seja – e, claro, inesquecível até ao fim dos meus dias. As elevações e as flexões foram adaptadas, mas foram 100 de cada, mais o resto. 400 repetições ao todo.

Quando soube que o treino era aquele, protestei vivamente, disse que não ía aguentar, que ía passar ali o resto da semana. Era impossível eu conseguir acabar aquilo.

O coach apressou-se a chamar-me de rabujenta e a contrariar-me: “É claro que vais conseguir fazer tudo.” Pessoal mais experiente reiterou a confiança do coach e disse-me que no CrossFit tudo se faz.

E lá fui fazendo, os minutos a passarem, a alegria de já só faltarem 300, o suor a pingar e o cansaço a apoderar-se. Cheguei a meio dos abdominais e estava morta, não aguentava mais. Havia colegas de treino que já tinham acabado, como é que isso era possível? Soltei o meu último suspiro e disse a palavra interdita: desisto (sim, agora já sei que é esta).

A Angie ensinou-me que os limites estão na nossa cabeça. E que um bando de crossfitters a puxar por nós opera verdadeiros milagres

No mesmo instante, fui rodeada pelos outros crossfitters, que me proibiram de parar. Eles tinham acabado de completar as 400 repetições, mal respiravam, mas tinham ainda pulmão para gritar comigo e dizer-me “Tu consegues.” Perante tamanha injeção de confiança (ou seria alta pressão?), pensei que tinha que tentar continuar, pelo menos. Fui ressuscitando aos poucos e começando a acreditar que conseguiria chegar ao fim, com tantas vozes de fundo a puxarem por mim. Ninguém desarmava: estavam ali firmes e fortes depois daquilo tudo e não me deixavam desanimar. Pareciam uma mão invisível, não a do Adam Smith, mas a da união de crossfitters que nos encoraja a ultrapassarmos todas as barreiras. E não é que consegui terminar?

A Angie ensinou-me que os limites estão muito mais na nossa cabeça do que no nosso corpo. E que um bando de crossfitters a puxar por nós opera verdadeiros milagres.

Angie, Angie, you can’t say we never tried. Não, não… I tried & I did it!

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