Burpees em pleno bar às duas da manhã

No sábado de manhã, 12 de dezembro, tivemos na box o torneio de Natal, e à noite o jantar típico da quadra festiva.

O torneio consistia em WODs (a parte intensa do treino) de três minutos que oferecíamos em forma de presente ao nosso amigo secreto. A ideia era dar-lhe exercícios de que ele gostasse e durante dias especulámos sobre quem nos ofereceria o presente e sobre qual o conteúdo do mesmo, para além de nos termos dedicado a fabricar um WOD, ainda que com a supervisão do coach.

Nessa manhã, o David chegou de directa depois de ter estado a trabalhar no turno da meia-noite, o Diogo esqueceu o corpo dorido de uma semana intensa de treinos e foi dos primeiros a chegar, a Inês conseguiu mudar a folga para estar disponível no sábado, a Vera preparou as orangettes que serviram de doping durante o treino, a Joana e o Rafael adiaram a ida à terrinha e a Beatriz acordou de madrugada para apanhar o barco, depois de uma semana de trabalho até altas horas.

À noite, o Fábio saiu do trabalho a correr para ir ao jantar, a Joana Punk foi a pé de casa e apanhou uma molha descomunal, o Pedro experimentou um serviço novo de táxis e chegou ao restaurante de limousine, a Marta e a Rita, que só têm tido tempo para treinar depois das 22h, chegaram a horas ao jantar. Ah, e era o dia de aniversário da Rita. O Tiago dizia-se finalmente entusiasmado pela chegada de um jantar de Natal, talvez recordando os jantares de Natal do trabalho ou com aqueles parentes distantes que não nos dizem nada.

Terminado o jantar, as mesas foram encostadas às paredes e o espaço disponível transformou-se em pista de dança. Sugestionados pela manhã de competição, formaram-se casualmente duas equipas, que iam alternando movimentos de CrossFit coreografados ao som do DJ. Eram duas da manhã e estávamos a fazer burpees no bar. O que é que se passa de errado com estas pessoas?!

Este espírito de conjunto e de pluralidade, por oposição ao individual, de que este sábado foi apenas uma amostra, é o reflexo do que se chama usualmente de Comunidade CrossFitter.

Ficamos genuinamente contentes quando vemos alguém a conseguir completar um exercício que não conseguia ou a melhorar uma marca anterior, porque no fundo somos o espelho uns dos outros

Esta comunidade resulta, desde logo, da circunstância de não treinarmos sozinhos ou apenas para nós próprios. Na box, podemos até ter – e temos muitos – treinos de cariz individual, mas, mesmo uns terminando primeiro que os outros, chegamos sempre ao fim todos juntos. O treino não acaba enquanto o último não acabar e todos puxamos uns pelos outros, mesmo que nos tenhamos acabado de conhecer.

Ficamos genuinamente contentes quando vemos alguém a conseguir completar um exercício que não conseguia ou a melhorar uma marca anterior, porque no fundo somos o espelho uns dos outros e sabemos que a cada dia somos melhores e estamos mais próximos de uma vida saudável porque os outros também estavam lá.

Para a semana, já está combinado um pós-WOD em que vamos partilhar entre todos os objectivos crossFitters para 2015, desde os mais realistas aos “I wish I could…”. Se for num bar intercalando gins com burpees ainda melhor.

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